Todo o tempo para comprar, nada para pagar

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Todo o tempo para comprar, nada para pagar

Todo o tempo para comprar, nada para pagar ra2studio / Shutterstock

 

O evento Money20/20 prosseguiu esta manhã dentro de uma linha condutora voltada para um aspecto inusitado dos processos transacionais: o fim do pagamento como o conhecemos.

 

Há uma corrida tecnológica para tornar as compras puro entretenimento, com uniformidade multicanal. Até aí, tudo normal. Mas os pesquisadores e executivos debruçam-se hoje sobre os sistemas de pagamento. A segurança absoluta no pagamento com encriptação instantânea, tokenização (validação integrada) e eficiência tão grande fazem da compra algo natural, sem filas, sem validações, sem senhas, sem fraudes.

 

A senha - sem trocadilhos - dessa corrida é o "buy button", ou compra por um toque, em tradução livre. A eliminação absoluta das fricções. Sistemas de troca de informação presentes nos smartphones e nas lojas on e off line irão permitir a compra por proximidade, instantaneamente. O consumidor usa um app, navega, entra em contato com ofertas especialmente desenhadas para ele. Sem sair de seu ambiente, ele clica em qualquer botão de aceite e pronto. A compra está feita. Não se procura o que comprar, não se vai on-line buscar ofertas. Elas serão antecipadas para se conectarem com os perfis dos clientes. Por isso, vemos hoje as diversas tecnologias novas de pagamento - Apple Pay, Google Pay, Chase Pay, Pay Pal, Pagamentos via tags (como nos programas Sem Parar e ConectCar, por exemplo), pagamentos por pontos de programas de fidelidade - disputando espaço no varejo, na briga por impor um padrão que o consumidor queira usar como definitivo. O que se sabe é que o consumidor quer pagar de modo mais simples. O tempo de compra é voltado para a experiência, conteúdo, interação social e nunca para pagar. Um novo padrão de comportamento.

 

Google, Pinterest, Twitter, Spotify e Facebook já praticam vivamente o "social commerce", interferindo suavemente no tempo on-line de seus consumidores e oferecem o botão "buy". Você está vendo um filme no You Tube e é impactado por uma oferta. Clica ok, confirma a compra e volta para o seu filme. Você curte posts no Facebook e vê um anúncio sobre o que curtiu. Clica em "ok", finaliza a compra e volta para a sua timeline. Está navegando pelas imagens bonitas do Pinterest e algo chama a sua atenção. Mais um ok e volta para a sua experiência. Sistemas diversos vão se conectar às suas possibilidades de pagamento - dinheiro em conta, pontos de programa de fidelidade, recursos do cartão de crédito, recursos de programas de débito e finalizar a transação totalmente validada, aceita e segura.

 

Os recursos dos consumidores irão girar em velocidade acelerada, como investidores movimentando recursos pelas bolsas de valores mundo afora. A Amazon desenvolveu o Amazon Payments, um sistema de pagamento expresso, utilizado já pelo Golf Now, ação da NMC voltada para os amantes desse esporte. Com ele, os clientes podem ir aos jogos e ser imediatamente reconhecidos, sem ingressos e validações de cartão, aspectos comuns nos dias de hoje. Usando o Amazon Payments, o cliente acessa o estádio por meio de uma pista livre e é automaticamente reconhecido na porta do Golf Course.

 

Já existem tecnologias que conversam entre si, voltadas para facilitar e reduzir ao mínimo o tempo esperado para transações dos clientes. Comprar será quase tão natural quanto pensar. Um ok separa você dos desejos de consumo. E o melhor: sem dinheiro disponível de nenhuma espécie.

 

Em contrapartida, as experiências oferecidas aos clientes e o acesso que ele dará às informações que posta e mantém nas redes sociais serão profundamente incrementadas. Mais tempo para viver intensamente os momentos de consumo. E simplesmente nenhum tempo para realizar a transação de compra.

 

Uma visão otimista e inaplicável para o Brasil de 2015? Talvez sim. Mas o avanço das tecnologias e do comportamento do consumidor mostram que o conteúdo do Money 20/20 está sintonizado com um novo processo de compra e de relação com o dinheiro. A inovação vai demolir o uso do dinheiro físico. Usar notas e moedas e mesmo cartões de débito e crédito serão incomuns para as próximas gerações. Peças de um passado tão distante quanto o da criação da roda e do fogo.

 

*Jacques Meir é Diretor de Conhecimento e Plataformas de Conteúdo do Grupo Padrão

 

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