Como estruturar o RH de uma startup?

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Como estruturar o RH de uma startup?

Como estruturar o RH de uma startup? Shutterstock

 

Uma cultura inovadora demanda formas irreverentes de lidar com todas as características da nova empresa, até mesmo quando o assunto é a área de recursos humanos. Em uma startup, escalável e veloz, como se dá o processo de estruturar o RH – tão conhecido pela burocracia e conservadorismo? Um painel do primeiro dia da Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo 2015 abordou a questão.

 

O momento ideal para esse passo varia de acordo com a necessidade percebida pela equipe. No caso da Descomplica, a procura pelo colaborador de RH ocorreu quando a equipe já contava com aproximadamente 70 pessoas. “Acredito que poderia até ter sido um pouco antes”, pondera Monique Menezes, a responsável pela área desde então. “Quando me convidaram, eles perceberam que já tinham alguns problemas de comunicação interna. Quando a empresa vai crescendo, fica mais difícil passar a cultura para frente”, explica.

 

Para Monique, as startups não precisam necessariamente de um membro de RH, mas alguém que tenha esse foco em pessoas, já que o CEO não consegue fazer esse trabalho sozinho a partir de um certo patamar. “Não dá para o CEO estar em todos os lugares o tempo todo. Ele é uma figura inspiradora, mas o papel do RH é passar isso para toda a equipe”.

 

Na ContaAzul, a formatação de um departamento de pessoas foi iniciado já com 15 a 20 membros. "Nossos fundadores sempre foram muito voltados às pessoas, as startups tem uma coisa de cultura muito forte e, se isso não é pensado desde o início, pode perder muito depois”, aponta André Ocuno, líder do departamento. “É importante ter uma pessoa no time pensando nisso, ter uma função focada em contratar e prever o volume de contratações faz diferença”.

 

RH tradicional X RH de startup
Na prática, o que diferencia um departamento de recursos humanos convencional, de uma grande empresa, para aquele nascente dentro de uma startup? Para os especialistas, que possuem experiências nos dois campos, são atuações distintas.

 

“A empresa tradicional utiliza o RH simplesmente para roda folha de pagamento, para lidar com demandas de outros setores. Na startup é diferente. A área está ligada a todas as tomadas de decisão, a evolução da estratégia, faz todo um suporte por trás dos processos”, exemplifica André.

 

“Acho que a grande diferença é a questão da burocracia, muito relacionado ao RH. Uma questão de autoridade, um departamento separado, de regras e normas, processual, que não cabe numa startup. O grande desafio do RH de uma startup é acompanhar todos os processos da empresa junto aos de RH. Eu preciso atuar com o CEO, CFO, entender se as pessoas são aderentes a cultura daquela organização”, complementa Monique. É um departamento que precisa de flexibilidade e sua atuação é conjunta a todo o resto do time.

 

Encontrando talentos
Com uma atuação flexibilizada e alto nível de acompanhamento das atividades do negócio, a área de pessoas tem uma grande missão: encontrar novos membros para a equipe – essencial para o sucesso da startup. Que ferramentas esses profissionais utilizam para isso?

 

Na ContaAzul, conta André, as indicações são responsáveis por 60% das novas contratações. “Temos um programa de incentivo de indicações. Se aquela contratação der certo, a pessoa que indicou ganha um bônus financeiro”, explica. Para esse processo, o fundamental, na visão do executivo, é reconhecer talentos e valores. Se o profissional não está alinhado com as aspirações da startup, independente de seu ótimo currículo, ele não será selecionado.

 

A Descomplica opta por envolver seus colaboradores no processo seletivo. “Numa cultura de autonomia e liberdade no processo de decisão, começamos a envolver nossas pessoas no processo, colocando os desenvolvedores para entrevistar. Fazemos umas cinco entrevistas”, conta Monique. Como o caráter de colaborador founder – que se sente também dono do negócio – é muito forte na startup, envolver a equipe na hora de encontrar novas cabeças faz diferença.

 

RH novo: qual o primeiro investimento?
Para a startup, todo recurso é crucial. Quais são os primeiros passos para formatar esse departamento novo, então? Na ContaAzul, a equipe optou por desenvolver um modelo de competências – que desencadeou outras iniciativas. Seguindo o modelo, foi possível definir as avaliações de desempenho e formas assertivas de qualificar o time.

 

Na visão de Monique, transparência é fundamental e é preciso ter certeza de que toda a equipe está alinhada com a cultura da startup. Para isso, é necessário conhecer as pessoas. Na Descomplica, são feitas reuniões com todo o time semanalmente para alinhar os propósitos e então permitir a definição de métricas, quais são os treinamentos necessários para cada colaborador, criar mentorias dentro do próprio time e, se necessário, reconhecer pessoas com um desenvolvimento diferenciado.

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