2016: um ano para fazer negócios com inteligência

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2016: um ano para fazer negócios com inteligência

2016: um ano para fazer negócios com inteligência Shutterstock


Parece loucura, mas você não leu errado: 2016 pode ser um grande ano para você que empreende ou é executivo de negócios no Brasil - mesmo com um cenário no mínimo nebuloso para os principais segmentos da economia.

Para muitos, 2015 foi um ano difícil, com queda de receitas e perda de clientes. Mas tem quem se lembre do ano passado com bons olhos. Alguns casos de setores específicos podem ilustrar o que estamos falando:

  • A indústria automobilística teve queda de 25% nas vendas ao longo do ano, com algumas montadoras passando por péssimas perdas, como Volks, Ford e GM. Por outro lado, Audi e Mercedes tiveram crescimento de vendas acima de 10%, enquanto a rival BMW “apenas” teve incremento de 3% no ano que começou suas operações no país (oportunidade para ganho de foco comercial este ano). Números ainda mais surpreendentes tiveram Honda e Jeep, com o lançamento de produtos que caíram no gosto do público nacional: com HR-V e Renegade o faturamento de ambas teve incremento acima de 20%, com fila de espera acima de 90 dias para compra dos veículos;
  • Ainda que exista uma série de gargalos, sabe-se que viveremos um “boom” no segmento de energias renováveis no Brasil. A geração de energia eólica, por exemplo, dobrou em 2015 e espera-se mais 40% de crescimento em 2016. Incentivos do governo para aquisição de meios de energia limpos deve causar um rápido crescimento de smart grids de painéis de energia solar para instalação em domicílios;
  • Apesar da queda no comércio, as pessoas não estão deixando de se alimentar fora do lar: o consumo em restaurantes e bares aumentou 8% em 2015, após uma base forte de ano com Copa no Mundo no país. As perspectivas para 2016 são ainda melhores já que há previsão de queda da inflação e eventos como os Jogos Olímpicos a caminho;
  • O mesmo fenômeno se aplica no segmento de cosméticos: não somente o crescimento foi acima de 7% no setor este ano, como houve a movimentação da Coty em adquirir o segmento de atuação-chave da Hypermarcas apostando no médio/longo prazo e a forte demanda por beleza da brasileira.


Com esses dados, é possível perceber que mesmo com um cenário de economia instável - o que teremos ao menos durante o primeiro semestre deste ano - ainda dá para fazer um resultado incrível no seu negócio/marca para o ano de 2016. O grande ponto é fazer isso com inteligência.

Um dos principais trunfos das empresas que tiveram bons resultados em 2015 foi a inteligência de mercado. Trata-se de uma disciplina oriunda do marketing, responsável por prover informações e conhecimento, bem como transformar esses dados (presentes em todo lugar: do noticiário aos dados de vendas e relacionamento com clientes do dia-a-dia) em ações que possam otimizar o reconhecimento da marca, a sustentabilidade do negócio e a performance de vendas.

Para ajudar empreendedores e empresários a desenvolver seus negócios em 2016, seguem algumas dicas atreladas ao conceito de inteligência de mercado:

1- Reveja o DNA da sua marca: ao revisar o ciclo de marketing/estratégia, o ponto de partida deve ser a construção da sua marca X cultura. A maioria dos empreendedores e/ou executivos não se atentam a este detalhe, mas o pleno conhecimento e vivência da cultura de marca é o divisor de águas para o sucesso ou fracasso de uma empresa.

 

Vide o exemplo da AmBev: sua cultura (que vem do tempo de Banco Garantia) foi fundamental para as tomadas de decisões - de custo base zero a aquisições - que transformaram seus acionistas nos maiores produtores de cerveja do planeta. O mesmo se aplica a Juliana Motter e sua Maria Brigadeiro: a preocupação com a excelência e a melhor experiência de consumo da iguaria foi fundamental para a não-expansão da sua marca em pontos-de-venda, mas pavimentou parcerias históricas (co-branding) com a Natura e a Diageo (Johnnie Walker) - caminho diferente do tomado pela Brigaderia, por exemplo.
 
2- Analise o ambiente que o cerca:  a análise do macroambiente é uma das primeiras vertentes que toda empresa deve se orientar na hora de estruturar suas ações para um ciclo. O que acontece por aqui é que poucas são as empresas - mesmo as grandes - que realizam estudos para determinar as mudança das variáveis do seu segmento de atuação e como elas podem influenciar suas operações. Você acha que algum grupo de taxistas no Brasil estudou as mudanças tecnológicas e culturais que serviram de plataforma para a rápida ascensão do Uber no país? É fundamental entender as mudanças de mercado para enquadrar sua proposta de valor de marca para o cenário atual.

 

Nesse sentido, e aproveitando o segmento citado, quem mais teve sucesso foi a 99 Taxis e a possibilidade de obter um veículo para traslado ao toque do aplicativo de celular. Ao mesmo tempo, Carlos Wizard Martins percebeu que o perfil demográfico dos grandes centros e a mudança cultural por hábitos mais saudáveis é uma tendência de longo prazo e, com o dinheiro da venda da sua rede de escolas de inglês, adquiriu a Mundo Verde e propôs uma rápida expansão da marca ao redor do país.
 

3 - Analise a sua empresa dentro do ambiente: se analisar o ambiente que o cerca é uma atividade esquecida por boa parte das empresas ao redor do país, imagina olhar para o próprio umbigo e analisar sua presença dentro do mercado? Muitas das empresas vivem o seu status quo e esquecem de regularmente analisar sua conjuntura, os concorrentes e suas movimentações, clientes e públicos de interesse. É notório que a Kodak sentou em cima da força que detinha em cima dos pilares máquina-filme-revelação e deixou de lado a mudança do perfil dos clientes em busca dos aparelhos digitais - levando à sua bancarrota por negligenciar seu próprio DNA de “registro de momentos” por anos a fio.  Da mesma forma foi a análise do comportamento concorrencial que fez com que a Paris Vegas modelasse sua proposta ao mercado e rapidamente se tornasse empresa-referência em traslado de luxo na região de São Paulo.
 
4 - Esqueça o plano de marketing; tenha um plano de ações e o controle: colocar todas as informações no papel é um desgaste muito grande de tempo em um cenário onde as variáveis do mercado e do seu segmento mudam em questão de dias - só vale a pena se estiver atrás de investimento para o seu negócio. A melhor tática em um mundo onde a agilidade é fator crítico de sucesso é ter uma boa visualização do seu DNA de marca e modelo de negócio, além do desenvolvimento das principais frentes de evolução estratégica e o acompanhamento disciplinado da evolução das ações. Startups de sucesso, como o Instagram, conseguem se mover rápido justamente porque possuem este comportamento ágil de gestão das suas atividades. Há uma tendência inclusive de descentralização das atividades de grandes empresas (comportamento visto a primeira vista no segmento de tecnologia), de forma a compreender rapidamente as nuances do mercado e desenvolver soluções rápidas para aproveitar oportunidades.
 
Períodos de crise econômica são a grande oportunidade para marcas ajustarem suas atividades, tornarem-se mais produtivas, rápidas e compreensivas sobre si e os mercados que as cercam. Como resultado, há o incremento de receitas, a redução inteligente de custos e o aproveitamento de oportunidades. Não a toa - e retornando ao caso de empreendedorismo mais famoso do país - na crise do plano Collor de 1990 o Garantia comprou a Brahma, no disparo do dólar em 1999 foi a vez da fusão com a Antártica e a formação da AmBev e, em plena crise de 2008, a já InBev comprou a Budweiser (Anheuser-Busch) e constituiu a maior cervejaria do mundo.
 
Outros casos de sucesso? A crise econômica de 1990 e a briga entre sócios ajustou o Grupo Pão-de-Açúcar para se tornar a mais rentável e maior rede de varejo alimentar do país poucos anos depois, bem como a IBM viu no expurgo da linha de computadores e foco nos serviços o futuro da marca como uma das empresas mais valiosas do mundo.
 
O ano de 2016 tem tudo para ser o grande ano da sua empresa, pois dificilmente não veremos a luz do fim do túnel do momento turbulento que enfrentamos na economia. A grande questão é como você se sairá neste cenário: mais alinhado com o mercado por meio do uso da inteligência de mercado ou engolido pelas circunstâncias.
 
Qual será a sua escolha?   
 
*João Gabriel Chebante é consultor de empresas, como Recaro, Colgate-Palmolive, Henkel, BankBoston, LyondellBasell, Braskem (Grupo Odebrecht) e São Paulo FC

 

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