Startup cria ‘bolsa de crédito’ para PMEs que buscam financiamento

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Startup cria ‘bolsa de crédito’ para PMEs que buscam financiamento

Startup cria ‘bolsa de crédito’ para PMEs que buscam financiamento Shutterstock

 

Empresas que buscam captação no mercado de crédito nem sempre têm facilidades para encontrar um financiador disposto a liberar o recurso, principalmente em um momento de fragilidade econômica e de concentração bancária cada vez maior. Com o objetivo de facilitar e criar uma alternativa para companhias que necessitam de financiamento, o empreendedor paulista e ex-sócio da Hedging Griffo Asset Management - hoje do Credit Suisse -, o financista Dan Cohen, criou a F(x).  O objetivo é aproximar empresas e financiadores, numa espécie de ‘marketplace’ para captação de recursos.

 

A retração da economia brasileira em 2015 impactou a liberação de recursos pelas instituições. De acordo com dados do Banco Central, a concessão de crédito para empresas, na modalidade livre, recuou 2,1% em 2015 em relação a 2014. A expectativa para 2016 é que essa retração aumente ainda mais. Segundo a consultoria Tendências, a concessão de crédito deve ter contração de 8,3%.

 

"No cenário atual, a capacidade das empresas de encontrar alternativas para manter a operação funcionando será crucial para sua sobrevivência", explica Eduardo Küpper, cofundador da startup. "Hoje, caso a empresa deseje diversificar seu acesso ao crédito, terá que começar ou reativar um trabalho que tem seu ciclo próprio, depende de relacionamento e é custoso. Nosso objetivo na plataforma é que todo esse processo seja simplificado, pois as empresas terão acesso a diversos financiadores de uma vez só", complementa.

 

Criada no início de 2015 para servir como alternativa a esse cenário, a plataforma funciona da seguinte forma: os bancos e fundos se cadastram no site e colocam informações sobre o tipo de crédito que estão dispostos a conceder. As empresas, por sua vez, criam um perfil com informações sobre o seu negócio, as garantias que tem para dar e o tipo de crédito que procuram. A partir dai, entra em ação um algoritmo elaborado pela startup que cruza  os dados de quem concede e de quem toma crédito. Aqueles com maior semelhança entre si dão  "match". A tecnologia se assemelha à utilizada pelo aplicativo de paquera Tinder.

 

Após identificar um número mínimo de matchings, a plataforma inicia um leilão de exclusividade digital, onde os financiadores interessados poderão submeter estruturas indicativas de financiamento. As melhores propostas serão selecionadas pela empresa tomadora e automaticamente passam a ter exclusividade de negociação.

 

Diferentemente de pregões tradicionais, em que a única variável negociada é o preço, no leilão de exclusividade proposto pela startup é possível negociar  inúmeros  indicadores de risco x retorno, tais como o pacote de garantias exigidas, o prazo do financiamento, cláusulas de vencimento antecipado entre muitos outros. Isso permite um equilíbrio muito maior entre as necessidades de ambos os lados.

 

A F(x) conta hoje com mais de 65 instituições cadastradas na plataforma, entre bancos de pequeno e médio porte, fundos de crédito, financeiras, FIDCs e mesmo fundos de private equity que façam dívida mezanino. Para entrar na plataforma, a empresa tomadora do crédito precisa ter receita mínima anual de R$ 30 milhões ou garantias de valor superior a R$ 4 milhões.

 

Para garantir que as regras do leilão sejam seguidas, a F(x) se apoia nas próprias empresas que contratam a plataforma em busca de crédito. “Mais forte do que a questão contratual é a reputação. Ninguém em sã consciência irá querer manchar a imagem com mais de sessenta perfis de crédito”, afirma Cohen. "É um conceito inovador, uma vez que as operações não são fechadas dentro da plataforma e os financiadores não pagam nada para usar".

 

Outro objetivo da plataforma é servir como alternativa à concentração bancária e de crédito no Brasil, o que dificulta o acesso por empresas para rolagem de dívida. De acordo com o Índice Hergfindahl-Hirschmann, principal medida de concentração bancária no país pelo Banco Central, houve elevação nesse indicador de 2007 para 2015. Naquele ano, o índice apontava 1.045 pontos. Ao fim do ano passado, esse patamar foi para 1.573 pontos. Valores entre 1.000 e 1.800 indicam concentração moderada. Acima de 1.800 já é considerada alta.

 

Desde o início da sua operação, a F(x) já disponibilizou mais de R$ 100 milhões em crédito para serem liberados na plataforma. Já o valor de empréstimos fechados é de aproximadamente R$ 40 milhões. "Nossa expectativa é que o negócio triplique de tamanho até o fim do ano", aponta Küpper. "A F(x) vem se mostrando como uma ótima fonte de originação para os financiadores".

 

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