Você sabe qual é seu Quociente Empreendedor?

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Você sabe qual é seu Quociente Empreendedor?

Você sabe qual é seu Quociente Empreendedor? Shutterstock

 

Trinta anos atrás, eu estava sendo levado de um médico a outro pois era um pouco agitado. Os exames pelos quais passei me diagnosticaram como sendo hiperativo, mesmo antes dessa patologia virar moda - e gerar bilhões para a indústria da saúde. Um caso de early adopter do DDA (Distúbio de Déficit de Atenção). Entre idas e vindas a médicos e especialistas, diagnósticos e terapias alternativas, tive contato com um exame que me perseguiu pelas décadas seguintes: o do Quociente Intelectual, ou QI.


O que deveria ser uma ferramenta para apoiar meu desenvolvimento acabou me incomodando por anos. A cada lembrança sobre meu QI, eu ficava abalado. Eu não tinha – nem nunca teria – o QI de gênios como Albert Einstein, Marie Curie ou Leonardo da Vinci. O que é pior, nenhum tipo de esforço ou programa de ensino me ajudaria a desenvolver um QI de 160.


Ser classificado como “normal” me incomodou, assim como incomoda milhões de pessoas, há décadas. O teste de QI – também conhecido como teste Stanford-Binet – levou pessoas a acreditarem que um número bastaria para mostrar a alguém qual seu lugar no mundo ou seu potencial. De acordo com ele, um número seria o suficiente para dizer o quanto alguém era, ou não, inteligente.


Inteligência é contextual
Outros modelos de inteligência surgiram com o passar do anos, muitos em resposta ao Stanford-Binet, que é batizado com o nome da universidade e do pesquisador que desenvolveu o teste, há cerca de 100 anos. O principal diferencial dos novos modelos de inteligência está no reconhecimento de que ela depende do contexto em que uma pessoa está inserida.


Pense em um prêmio Nobel de economia. Ou melhor, pense logo em três. Coloque todos em um avião e deixe-os por seis meses no meio do deserto de Gobi, na Mongólia. Repita esse mesmo exercício com um beduíno semianalfabeto, que nasceu e cresceu no deserto do Sahara. As chances dos acadêmicos saírem vivos do experimento é inversamente proporcional ao QI dos três, somados. Enquanto isso, espera-se que o beduíno sobreviva ao ambiente hostil. Nessa situação, quem é mais inteligente: o beduíno ou os três PhDs?


Ao retirar acadêmicos do seu ambiente natural e colocá-los em contato com novas experiências, suas habilidades de resolução de problemas caem drasticamente, a ponto de suas vidas estarem em perigo. Assim como no exemplo acima, os novos modelos apresentam a inteligência como contextual. De acordo com a situação, diferentes tipos de inteligência são necessárias e esperadas. Assim, o raciocínio lógico não é suficiente nem requisito para explicar o quanto alguém é – ou não – inteligente.


Entre os modelos que sugiram, o da inteligência emocional e o das múltiplas inteligências ganharam muitos adeptos nos últimos anos. Neles, a inteligência está relacionada à habilidades musicais, interpessoais, coordenação motora e ao controle da emoção, por exemplo. Todas contextuais e passiveis de serem medidas.


Quociente empreendedor
E se fosse possível medir o quanto alguém é – ou não – empreendedor, utilizando as melhores práticas ligadas à avaliações de inteligência? Busquei resposta à essa pergunta durante o tempo em que morei em Nova Iorque, estudando na mais antiga escola de educação dos EUA, a Steinhardt, da New York University (NYU).


Quando retornei ao Brasil, continuei a pesquisa que fiz durante o mestrado em ensino de negócios na NYU, o que resultou na metodologia Quociente Empreendedor, ou QEMP. A partir da validação com centenas de especialistas em educação, ensino superior e empreendedores, criamos uma ferramenta robusta que apoia o ensino de novos negócios, empreendedorismo e inovação. Ao mesmo tempo, desenvolvemos um vocabulário que oferece um ambiente seguro para discussões entre equipes, investidores e mentores.


Como parte da metodologia QEMP, desenvolvemos um assessment que identifica e mensura a relação de um profissional com um projeto de novo negócio. Após uma avaliação de cerca de 20 minutos, métricas contextualizam o envolvimento de alguém com um projeto, baseado em 6 pilares: Controle e Planejamento, Dinâmica do Mercado, Aderência, Perfil Empreendedor, Recursos e Experiência. Por exemplo: é possível medir o quanto alguém Controla e Planeja, comparado com sua habilidade de identificar Recursos ou o quanto entende da Dinâmica do Mercado em que atua ou planeja atuar.


Além dos pilares, a solução mede e apresenta as Dimensões Pessoais. Ou seja, o que é dominante em relação ao projeto: Inovação, Análise, Processos ou Relacionamento. A partir da avaliação, a metodologia apresenta objetivos de ação, adaptados conforme as respostas ao QEMP.


Contextual e andragógica, a ferramenta é uma evolução dos modelos de inteligência, adaptada ao desenvolvimento de profissionais e negócios. Ela é contextual pois considera o ambiente em que o(a) profissional está inserido(a), e andragógica, pois dá liberdade total para o plano de desenvolvimento.


Há alguns anos o filósofo Zygmunt Bauman apresentou o conceito de modernidade líquida, onde argumentou que mudanças na sociedade são e estão ocorrendo com cada vez mais frequência. Acredito que o mesmo se aplica ao mundo dos negócios. A metodologia QEMP é uma resposta – entre outras coisas – aos anseios daqueles que querem planejar negócios e carreiras de forma cada vez mais ágeis.


*Thiago de Carvalho é Mestre em Ensino de Negócios pela New York University, Country Manager da Clinton Education e Professor de Empreendedorismo do Insper

 

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