Inteligência Artificial: a tecnologia em seu pleno desenvolvimento

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Inteligência Artificial: a tecnologia em seu pleno desenvolvimento

Inteligência Artificial: a tecnologia em seu pleno desenvolvimento Shutterstock

 

Na Segunda Guerra Mundial, uma máquina foi de grande importância para o serviço de inteligência britânica: a “Bombe”, projetada pelo matemático Alan Turing, era capaz de decodificar as mensagens da máquina polonesa Enigma, utilizada pelos alemães, que mudava seus códigos diariamente. Dali a alguns anos, em 1956, ele publicaria “Computing Machinery and Intelligence”, que daria a base para John McCarthy, no mesmo ano, cunhar o termo Inteligência Artificial em uma conferência em Darthmouth (EUA). De lá para cá, passamos por muito e o conceito dá nome a uma das áreas da tecnologia de maior combustão atual.  


Por definição, a inteligência artificial (IA) é um ramo da ciência da computação que se propõe a desenvolver dispositivos que consigam simular a inteligência humana (raciocinando, tomando decisões) e, principalmente, que sejam capazes de aprender consigo mesmos. Na prática, temos exemplos bastante avançados, mas ainda não alcançamos essa acepção teórica plenamente e, atualmente, o conceito envolve outras ferramentas.


Quando temos um grande volume de dados, precisamos ler essas informações de maneira inteligente. “Para isso, criamos algoritmos, que são fórmulas que vão preceder resultados”, explica Fabro Steibel, diretor executivo do Instituto de Tecnologia & Sociedade do Rio. Com diversos algoritmos se relacionando, temos raciocínios complexos. Alguns scripts utilizados em ferramentas digitais partem desse princípio, mas não o “praticam”: conforme explica o professor, um sistema de IA é capaz de criar os seus próprios algoritmos.


Um cotidiano de IA
As pesquisas do Google ou a chamada “bolha” do Facebook utilizam esses scripts que “relacionam as informações”.  Ambas as empresas estão investindo no segmento e avançando com suas pesquisas aplicadas. O Google Brain é um projeto da americana nesse sentido, que trabalha com o desenvolvimento de redes neurais (que imitam o comportamento do cérebro humano). Já a organização de Mark Zuckerberg anunciou recentemente o Zak, um bot que recomenda música aos usuários a partir da conversa travada com ele via Messenger, e o DeepText, um recurso de IA que entende exatamente o que o usuário escreve e até mesmo dá sugestões: se, em uma conversa, um indivíduo diz que precisa de uma carona, o sistema adiciona na janela um botão para que o Uber seja acionado.


Um mundo de ferramentas
Mesmo que pareça distante, a IA está muito perto de nós. “Quando fazemos uma compra de cartão de credito, ou quando você acessa um site, existe uma série de pequenos sistemas que verificam, por exemplo, se não tem uma fraude nesse cartão, se o seu padrão do gasto é compatível com seu histórico de consumo, se você está de verdade naquele lugar, se aquele site é perigoso”, explica Luli Radfahrer, professor da ECA-USP e um dos maiores especialistas em Internet do Brasil.


“Na área de tecnologias financeiras, a IA é extremamente importante. Porque um milissegundo faz diferença na decisão do dinheiro. Se você tem inflação ou uma moeda, saiba que tem IA calculando o mercado financeiro, o mercado imobiliário e qualquer tipo de mercado que tenha acionistas”, complementa Steibel.


Um futuro promissor
Para Richard Chaves, diretor de inovação e novas tecnologias da Microsoft Brasil, o potencial da IA é gigantesco. “Imagine o diagnóstico de pacientes feito por um médico virtual que tem a capacidade de ter em sua memória simplesmente todos os artigos já escritos na história sobre todas as doenças”, destaca. A empresa investe largamente em pesquisas dessa área, possui BOTs, a assistente pessoal Cortana e há pouco tempo fez um experimento com a robô Tay, no Twitter.

 

O Watson, da IBM, é capaz de entender linguagem natural, compreender contextos e aprender. Patrícia Fusaro, líder de Cognitive Business da IBM Brasil, enfatiza que a aplicação traz muitas possibilidades: “Se uma seguradora utiliza a inteligência de dados com informações sobre clima ou trânsito, por exemplo, ela pode enviar alertas para seus clientes sobre áreas problemáticas, probabilidades de acidente, fluxo, e agir de forma preventiva”, exemplifica.


Mercado nacional
No Brasil, vemos a adoção de IA por algumas empresas principalmente quando o assunto é atendimento. Desde 2012, a Gol utiliza a atendente virtual Gal, capaz de responder as principais dúvidas dos clientes para assunto mais práticos, como franquia de bagagem, documentação necessária para embarque, etc. Assunto mais complexos, no entanto, são transferidos para o atendimento humano. Mesmo assim, segundo a empresa, a robô é responsável hoje por cerca de 80% dos atendimentos via chat. O Ponto Frio e a Tam também utilizam recursos nesse sentido.


Contudo, esses experimentos são, muitas vezes, ferramentas que foram adquiridas e adaptadas, não são tecnologias nacionais. “Quem tem avançado muito em IA são grandes empresas privadas, com grande capacidade de guardar e processar dados. Elas têm um bom orçamento e a possibilidade de testar isso. Não temos uma grande produção em larga escala que seja comparável às atividades existentes lá fora”, explica Steibel, do ITS Rio.


Os pontos de dúvida
A ficção já nos mostrou alguns finais apocalípticos envolvendo a IA: vide O Exterminador do Futuro ou o personagem Ultron, de Os Vingadores. No entanto, o professor Radfahrer entende que existe um ponto muito mais delicado: a diminuição de vagas de emprego em decorrência da automação. “Em vários países da Europa, ou nos EUA também, já existem supermercados sem operador de caixa e boa parte das profissões de um supermercado poderia tranquilamente ser substituída por máquinas”, aponta. Assim, investimentos reais em educação são de vital importância para uma sociedade que almeja conviver com a IA.


Fora isso, a regulamentação precisará ser discutida. “Todo o nosso sistema jurídico é aplicável a cidadãos humanos. Se um carro autônomo atropela alguém, quem é culpado, o carro, o software ou o dono do carro? Ainda não temos essa resposta”, questiona Steibel. Não deixaremos de usar a tecnologia, como lembra Radfahrer, precisaremos desenvolvê-la cada vez mais para garantir uma menor chance de erro. Visualizar esse novo quadro, no entanto, é necessário.

 

*Essa matéria foi publicada originalmente na revista Consumidor Moderno 214

 

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